Take the Moon Novels

Exclusivo para a publicação de novels originais da autora Take_the_Moon em português e em inglês. [Exclusive for the publication of original novels by the author Take_the_Moon in Portuguese and English.]


CAPÍTULO 2 – A LUA E O OCEANO ESCURO

CAPÍTULO 02 – VIZINHA FOFOQUEIRA

Em uma casa de três cômodos um tanto surrada, com paredes de madeira descascando e telhados um tanto desalinhados, cuja palha velha tinha um cheiro de mofo, não era incomum naquele lugar nas favelas, mas era um lugar que abrigava uma simpática família de 4 pessoas.

“Allan, você já está voltando do mercado?” a voz de uma velha senhora soou na rua movimentada, todos ali tinham roupas simples e limpas, os idosos estavam varrendo as calçadas de suas casas, com os netos a correrem aqui e ali com os cachorros pulguentos das ruas, assustando ratos e gatos com a animação.

“Vovó Beth, como a senhora está?” o jovem de 25 anos segurava uma sacola de papel com alguns itens variados. Os cabelos do jovem bem-humorado eram ligeiramente longos tocando os ombros de uma cor peculiar de azul, a pele dele era escura como mogno escuro e brilhante.

Os lábios largos e cheios do jovem estavam curvados em um sorriso sincero e educado, ele em sua altura de 1.95m era imponente e forte, mas com esse tipo de expressão amigável não dava tanto medo apesar da cicatriz que destruía a beleza daquele rosto masculino e desejável.

Do queixo forte até um pouco acima das sobrancelhas, um corte em formato de meia-lua, profundo e parecia ter escavado aquela parte da carne fora, só se poderia imaginar a dor que o jovem teve que passar naquele momento.

“Você sabe como sempre, meus filhos estão no mar, minhas noras foram vender as peças de bordados para aquelas lojas chiques e meu marido está de mau-humor tentando ensinar meu neto mais velho o ofício da carpintaria”

As pessoas das áreas da favela trabalhavam como pescadores ou vendiam serviços de carregadores nos portos por pagamentos diários, alguns mais sortudos tinham uma profissão como carpinteiros, ferreiros, pintores (casas/moveis) entre outros, que proporciona um pouco mais de renda, mas com o país cada vez mais industrializado, esses profissionais têm ganhado cada vez menos dinheiro.

Isto levou muitos jovens a trabalharem para essas indústrias, que também não pagavam muito, mas não era preciso ter experiencia e nem ter uma profissão.

As mulheres trabalharem não era anormal, mas havia trabalhos que socialmente era malvisto para as mulheres, como trabalhar em algumas indústrias de móveis e aço, mas não havia leis que proibiam o trabalho das mulheres do Império Rosário, infelizmente, era o caso para as crianças também a partir de 10 anos as crianças já eram chamadas para trabalhar em indústrias, principalmente, nas ferragens e maquinários colocando parafusos soltos e porcas frouxas, correndo alto risco de vida com salários baixos, mas era um dinheiro vital na dinâmica familiar dos pobres e daqueles excluídos socialmente e forçados a erguerem as chamadas favelas.

A vovó Beth era uma mulher falante e um pouco intrometida, ela não pode deixar de olhar a bolsa de papel com os itens dentro, ela estava curiosa de onde esse homem conseguiu dinheiro para comprar tantas coisas, a família dele não era pobre?

A velha senhora olhou para as casas ao redor que eram mais bem cuidadas do que a casa desse jovem, a pobreza parecia gritar de cada vinco das roupas dele, cada remendo e pela descoloração do tecido, saindo de um tom amarelo para algo semelhante àquelas manchas de lama.

Allan, ou melhor, Allancaster, já estava acostumado com os olhos perscrutadores da senhora Beth, mas ele apenas afastou a bolsa de papel e sorriu educadamente para ela, ele terminou o cumprimento do dia e tentou voltar para casa.

“E a sua mãe já melhorou? Eu soube que o doutor Dagoberto veio ontem à noite? A pobrezinha não piorou, oh… eu espero que não” a senhora Beth disse parecendo lamentar que a vizinha estivesse algo doente.

No entanto, os olhares nada simpáticos dela não poderiam fugir do olhar de Allancaster, havia apenas a cruel curiosidade para fofocar, pensando se algo mais sórdido aconteceu na casa desse rapaz, que lhe parecia ligeiramente vulgar e suspeito por conta da cor de pele dele… Descendentes daqueles povos bárbaros além do deserto, quem sabe ele estivesse vendendo a própria irmã ou a mãe.

O doutor Dagoberto poderia não ter vindo pela mãe deles e sim para “cortejar” a irmã mais nova dele que recém completou 20 anos, que na opinião de muitos já havia passado da hora de casar-se.

Se bem com aquele trabalho indigno… Quem já se viu trabalhar como faxineira em um Bordel!

Que o Deus Hashan livre essa rua de uma pessoa tão baixa quanto aquela garota pretensiosa!

Pensou a boa senhora quase deixando pingar o veneno no sorriso caloroso que tinha ao cumprimentar os vizinhos.

Casar-se antes dos 18 anos era o normal no Império Rosário, principalmente as mulheres, passando dessa idade só poderia significar duas coisas, que a mulher vai ser solteirona podendo ser algum tipo de baba ou governanta de alguma família, ou mesmo sendo babá dos sobrinhos de algum irmão, ou parente, ou que seria uma dessas mulheres da vida que seduzia os homens das outras mulheres casadas.

Neste último caso as mulheres eram consideradas inferiores até mesmo as prostitutas dos cabarés e prostíbulo, já que lá as mulheres não estão para roubar os maridos de ninguém, se não vender os serviços de arte e o corpo.

Muito mais honroso do que ser uma mãe solteira seduzindo um médico casado!

Pensou a querida velhinha escondendo os pensamentos vis atrás de um sorriso caloroso ao olhar para o homem preto alto e bem-apessoado.

Obviamente, nenhum homem de respeito iria trazer uma prostituta para se casar ou algo parecido, apenas diversão devassa e um alívio sexual das frustrações de um casamento infeliz.

Este era o pensamento conservador atual do Império Rosário, que era um grande contraste com a evolução tecnológica, econômica e industrial, o contraste forte era um grande problema para os prefeitos e governadores provinciais quando lidavam com a população que se recusava a aceitar bem a industrialização e os novos transportes públicos, como também os novos empregos e as mulheres ganhando mais independência.

O Doutor Dagoberto era um homem bem-casado e vivia na rua comercial que ficava há 30 minutos das favelas, ele era um bom homem que atendia há um baixo custo e não era uma pessoa esnobe, sempre sendo respeitoso com todos os pacientes.

Então, era muito difícil para um homem tão bom e honesto como o doutor fazer esse tipo de coisa escandalosa, todos sabiam disso e raramente faziam comentários maliciosos a respeito do bom homem.

No entanto, se fosse realmente aquele tipo de coisa errada, seria uma fofoca deliciosa para compartilhar com as outras mulheres, além disso, não faltavam pessoas que, apesar de terem simpatia pela família de 4 pessoas, desdenhavam da situação de mulher da vida (vagabunda) da mãe de Allancaster.

Uma mulher imigrante de pele escura, que deve ter seduzido muitos homens pelo caminho para tentar subir de posição, isso era um fato cimentado na mente dessas mulheres casadas e fofocadas como um segredo pelas mulheres solteiras, servindo de lição para as meninas em crescimento, ensinadas pelas mães puritanas do que é um mau exemplo.

“Minha mãe teve uma pequena crise a noite e eu fui buscar o doutor, felizmente ele veio comigo e o pior passou… Eu preciso voltar agora com a comida e as ervas para fazer a cocção que o bom doutor passou” Allancaster continuou a manter o tom educado e se despediu da senhora Beth.

A senhora Beth logo foi abordada por outra mulher casada, então outras mulheres se aproximaram com um rosto cheio de curiosidades prontas para saber o que o mestiço falou sobre a visita do doutor Dagoberto.

Se fosse há alguns anos, ele teria brigado diretamente com esse tipo de pessoa de falsa bondade, mas ele teve 5 anos para se acostumar com a situação atual dele.

Bem, pelo menos eles viviam um pouco melhor do que antes e se tudo dê certo, eles vão se mudar em alguns dias para um bairro comercial, apesar da casa ser humilde e precisar de reparo, era muito melhor do que morar nessa casa que estava caindo aos pedaços.

Levou muito tempo para juntar o dinheiro sem despertar o interesse dos outros, além disso, levou ainda mais tempo para Allancaster pudesse se familiarizar e começar a treinar com os seus circuitos mágicos recém-descobertos.

Se não fosse por isso, ele poderia ter ganhado dinheiro mais rápido, mas ele tinha medo de ser descoberto por outros e ser obrigado a se alistar no exército ou pior fosse ainda mais ostracizado, afinal, a cor da pele dele e mesmo alguns traços lembravam ao povo do império sobre os bárbaros além do deserto que por muitas vezes chegava a invadir os estados fronteiriços e aterrorizar a população.

De qualquer forma, eles logo poderiam viver uma vida muito melhor e Allancaster esperava poder abrir o próprio negócio uma pequena clínica, felizmente, o doutor Dagoberto estava ali para apoiar ele e ser seu “mentor” oficial e garantidor de que ele era um aprendiz de médico capaz.

Afinal, o enredo do livro começaria hoje e ele precisava sair do caminho do protagonista para que a pequena família dele não seja destruída.

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About Me

Author of the LGBTQIA+ Novel, which she has been publishing for a few years. On Webnovel and Scribble Hub platforms.

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